A Câmara Municipal de Torres Vedras mais do que duplicou em cinco anos as receitas do Imposto Municipal sobre Transações Onerosas de Imóveis (IMT), refletindo a dinâmica do mercado imobiliário, revelam as contas de 2025.
Os proveitos do IMT passaram de 6,2 milhões de euros, em 2020, para 15,5 ME, em 2025, ano em que aumentou também cerca de 5 ME face a 2024, segundo o Relatório de Contas de 2025, a que a agência Lusa teve acesso.
O município do distrito de Lisboa encerrou o último ano com um resultado líquido positivo de 3,6 ME, superior aos 744 mil euros negativos de 2024, alcançado tendo em conta que o montante global de rendimentos atingido em 2025 foi de 78,2 ME e os gastos 74,6 ME, é explicado no relatório.
A execução orçamental da receita foi de cerca de 88%, abaixo da do ano anterior, uma vez que, de um orçamento corrigido de 112,2 ME, foram cobrados 99,2 ME.
Comparando 2024 e 2025, verificou-se um aumento de proveitos de 14,4 ME face a 2024, justificado pela incorporação de 7,9 ME do saldo de gerência de 2024 e pela receita corrente (67,4 ME para 74 ME) e de capital (9,3 ME para 10,7 ME).
Dos 99,2 ME, a receita corrente foi de 74 ME foram receita corrente, aumentando 6,5 ME em relação ao ano anterior graças sobretudo aos impostos diretos (30,1 ME para 36 ME), nomeadamente o IMT.
Pelo contrário, estabilizaram os proveitos das transferências correntes (29,4 ME) e da venda de bens e serviços (2,4 ME).
Dentro das receitas de capital (10,7 ME), aumentaram as transferências de capital (7,5 ME para 10,4 ME), resultantes de financiamentos aprovados para investimentos, mas ficaram aquém do orçamentado (18,1 ME), pela reduzida execução financeira do centro de saúde de Runa, da Escola Superior de Saúde e da ligação rodoviária da A8 às Palhagueiras, ficando por receber financiamentos.
A execução orçamental da despesa foi de 80%, acima de 2024, já que, de um orçamento corrigido de 112,2 ME, foral realizados 89,4 ME de despesa, dos quais foram pagos 87,4.
Registou-se assim um acréscimo de despesa de 17,3 ME face a 2024, impulsionada sobretudo pela despesa de capital (11,8 ME para 24,6 ME), graças aos investimentos refletidos na rubrica de ‘aquisição de bens de capital’ (6,7 ME para 18,7 ME), como a construção em curso dos centros de saúde de Runa e A-dos-Cunhados, do edifício destinado para a Escola Superior de Saúde, do centro escolar do Sarge e da ligação rodoviária da A8 às Palhagueiras.
Contribuiu também a despesa corrente (58,3 ME para 62,8 ME) devido ao aumento das transferências correntes (13,2 ME para 15,1 ME) e dos gastos com pessoal (26,6 ME para 29,2 ME), pelo crescimento do número de trabalhadores (de 1.259 para 1.302), atualizações salariais legais, progressões na carreira, novos suplementos e aumento dos encargos sociais e de avença.
O município do distrito de Lisboa encerrou 2025 com uma dívida de 31,2 ME e um prazo médio de pagamento a fornecedores de 25 dias.
O orçamento inicial era de 91,3 ME, mas teve várias alterações ao longo do ano, resultando num orçamento final de 112,2 ME.
Já os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) terminaram o ano com um resultado líquido positivo de 872 mil euros, com uma despesa de 24,4 ME, dos quais 21,1 ME são correntes e 3,3 ME investimentos, e uma receita de 23,7 ME.
Os dois relatórios de contas foram aprovados por unanimidade em reunião extraordinária do executivo municipal, realizada na segunda-feira, e são submetidos à Assembleia Municipal no dia 29.
Nas eleições autárquicas de 12 de outubro, Torres Vedras foi uma das sete câmaras municipais no país a mudar pela primeira vez de cor política, passando do PS para a coligação “Unidos por Torres Vedras” (PSD/CDS-PP/Volt), que ganhou com maioria absoluta na câmara – agora liderada por Sérgio Galvão – e na assembleia municipal.













