A última Assembleia Municipal da Lourinhã ficou marcada pelas intervenções de duas munícipes da freguesia da Moita dos Ferreiros, que alertaram para as dificuldades de circulação rodoviária na estrada que liga as localidades de Casal Novo, no concelho da Lourinhã, e Casal da Cotovia, no concelho do Bombarral, num processo que arrasta-se há vários anos
A sessão, realizada na segunda-feira, 27 de abril, contou ainda com a presença de mais de 60 munícipes da freguesia da Moita dos Ferreiros, que solicitaram esclarecimentos sobre o estado da via e as condições de circulação naquela zona.
A munícipe Mariana Miguel referiu que “as condições para o transporte de pessoas e bens estão péssimas, sendo isso um fator determinante para a asfixia deste território”, apontando constrangimentos numa zona com forte atividade industrial.
Segundo a mesma, o estado da Rua José Maria do Rosário Guilherme, que liga várias localidades da freguesia da Moita dos Ferreiros, agravou-se após o encerramento ao trânsito de pesados decidido pela Câmara Municipal do Bombarral, devido à degradação da via, e com o posterior colapso da estrada na sequência das intempéries. “A estrada colapsou por completo” e encontra-se “completamente intransitável”, afirmou.
A munícipe acrescentou que as alternativas existentes são insuficientes para o volume de tráfego, sobretudo de veículos pesados, defendendo a necessidade de soluções. “Queremos soluções para continuar e para crescer”, disse.
Também a munícipe Matilde Carvalho referiu dificuldades no acesso às habitações, indicando que as vias alternativas apresentam “difícil acesso, estreita, curvas apertadas e com difícil visibilidade”.
Na resposta, o presidente da Câmara Municipal da Lourinhã, Orlando Carvalho, afirmou que a via em causa apresenta problemas há vários anos e recordou medidas anteriores adotadas pelo município vizinho. “O Bombarral colocou sinais de proibição ou de pesados acima das 13 toneladas, isto em 2024”, disse.
O autarca acrescentou que “houve uma reunião com o executivo antigo de ambas as câmaras” e que “ficou combinado” um modelo de intervenção conjunta.
Segundo o presidente da autarquia lourinhanense, trabalhos recentes terão avançado sem articulação prévia. “Entraram em obra a 14 de abril de 2026. Não fomos tidos nem achados”, afirmou, acrescentando que “o Bombarral fez precisamente o contrário daquilo que tinha combinado connosco. Portanto, em termos gerais, não foi um problema deste executivo. Alguém está a mentir no meio disto tudo”.
Por sua vez, o presidente da Junta de Freguesia da Moita dos Ferreiros, Rui Perdigão, pediu esclarecimentos sobre o processo e afirmou: “Quero saber quem é que está a mentir a mim, à minha freguesia e ao meu concelho”.
O responsável considerou ainda que a intervenção em curso não corresponde ao acordado anteriormente, referindo tratar-se de “uma obra vergonhosa” e que os problemas de circulação mantêm-se.
Na mesma sessão, o presidente da Câmara Municipal da Lourinhã apontou que o município admite avançar com soluções no seu território. “Temos uma solução. E a solução é simples. É fazermos as apropriações do nosso lado e crescermos a estrada para o nosso lado”, afirmou.
Contactada pela RTVON, a Câmara Municipal do Bombarral referiu que o autarca tem conhecimento da situação, encontrando-se o processo a ser articulado com o município da Lourinhã.














