O Núcleo de Torres Vedras da Liga dos Combatentes assinalou no passado domingo o seu centenário, numa cerimónia que coincidiu com o 24.º aniversário do Monumento aos Torrienses Mortos na Guerra do Ultramar, marcada por homenagens.
As comemorações decorreram junto ao monumento de homenagem aos militares do concelho mortos na guerra do Ultramar, onde familiares de antigos combatentes procederam à deposição de flores. Seguiu-se a colocação de uma coroa de flores pelo Núcleo de Torres Vedras da Liga dos Combatentes, por dois antigos combatentes.
Durante a cerimónia, o Núcleo de Torres Vedras da Liga dos Combatentes foi distinguido com a medalha de honra ao mérito, grau ouro, imposta no respetivo guião.


Foram também distinguidos antigos combatentes que cumpriram serviço militar nas então províncias ultramarinas de Angola, Guiné e Moçambique. Receberam a Medalha Comemorativa das Campanhas e a Medalha Comemorativa de Comissões e Serviços Especiais Carlos Feliciano (Moçambique, 1973-1974), José Pires (Guiné, 1965-1967), João Carvalho (Moçambique, 1966-1968), João Silva (Moçambique, 1970-1972), Amílcar Mota (Moçambique, 1973-1974) e Jaime Nunes (Moçambique, 1974-1975).
No âmbito das condecorações atribuídas pela Liga dos Combatentes, o presidente da direção do Núcleo de Torres Vedras, Tenente-Coronel Manuel Vilhena, recebeu a medalha de honra ao mérito, grau Ouro.
A Medalha de Bons Serviços, Grau Ouro, foi atribuída a Pedro Franco, segundo vogal suplente da direção do núcleo. Já a Medalha de Bons Serviços, Grau Prata, distinguiu os associados Rodrigo Lourenço, António Cruz, Ana Paula Franco e Maria Manuela Costa.

Na intervenção realizada durante a cerimónia, a vereadora da Câmara Municipal de Torres Vedras, Rita Sammer, destacou a importância histórica do Núcleo de Torres Vedras da Liga dos Combatentes e o papel desempenhado pela instituição ao longo do último século. “Há 100 anos, neste concelho, um grupo de homens decidiu que os combatentes não podiam ser esquecidos. Criaram um núcleo que, desde então, tem preservado a memória e a dignidade de quantos serviram Portugal. Um século de presença ininterrupta em Torres Vedras é uma prova de que há valores que resistem ao tempo. O patriotismo, a solidariedade e o respeito pelos que sacrificaram o que tinham de mais precioso”, afirmou.
A vereadora recordou ainda os militares do concelho que perderam a vida na Guerra do Ultramar, referindo que “há 24 anos, este monumento foi inaugurado para dar rosto e nome aos mais de 50 torrienses que partiram jovens para Angola, para a Guiné, para Moçambique e que não regressaram”.
“A Câmara Municipal de Torres Vedras não esquece, porque a memória não é nostalgia, é responsabilidade. É o compromisso de dizer às gerações mais novas que houve homens que deram a vida e que isso merece ser dito em voz alta, ano após ano, diante deste monumento”, acrescentou.
Dirigindo-se aos presentes, Rita Sammer deixou ainda uma mensagem de reconhecimento à instituição e aos antigos combatentes. “Ao núcleo, parabéns pelo centenário. Aos combatentes aqui presentes, a gratidão de toda a comunidade torriense e a todos os inscritos nesta pedra que nunca sejam esquecidos”, disse.
Por sua vez, o diácono Joaquim Cruz evocou os militares que participaram na Guerra do Ultramar e afirmou que “é bom que a história se faça história. Que faça memória, mas também que registre o contexto em que tudo isso aconteceu”.



Já o secretário-geral da Liga dos Combatentes, Tenente-Coronel Faustino Lucas Hilário, recordou a história do Núcleo de Torres Vedras da Liga dos Combatentes, referindo que “a data da fundação do Núcleo de Torres Vedras da Liga dos Combatentes está referenciada na ata número 1 da Liga dos Combatentes, do dia 16 de outubro de 1923”, explicando ainda o processo de criação, funcionamento, encerramento e posterior reativação da estrutura local.
O secretário-geral lembrou também a criação do Monumento aos Torrienses Mortos na Guerra do Ultramar, inaugurado em 2002, classificando-o como “um dos mais significativos monumentos feitos em Portugal aos mortos no antigo Ultramar”. Segundo o responsável trata-se de uma obra que “perpetua a memória dos naturais do concelho falecidos no Ultramar” e que é atualmente reconhecida por entidades nacionais e estrangeiras ligadas à preservação da memória militar.
“Celebrar o centenário do núcleo de Torres Vedras é, portanto, muito mais do que festejar uma data. É afirmar o compromisso de sempre, o de servir os combatentes em geral e os nossos associados em particular. É honrar os que serviram, apoiar os que vivem e lembrar os que partiram”, afirmou.
Na parte final da intervenção, dirigiu-se diretamente aos antigos combatentes presentes, afirmando que “foram vocês quem tudo fez para a conquista da liberdade do povo português e a implantação da democracia neste país”, acrescentando que “fomos nós que concretizámos o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974”.
O secretário-geral salientou ainda que os combatentes desempenharam um papel determinante na transição para a democracia e na entrega do poder aos responsáveis políticos após a Revolução de Abril. “Nós entregámos o poder político de mão beijada, um país e uma nação ávida de conhecer e viver a democracia ao poder político”, afirmou.











