Fernando Costa, presidente da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha, manifestou-se contra o encerramento dos hospitais das Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, alertando para o crescimento demográfico previsto e a necessidade de manter a identidade local.
Na sua intervenção no 43.º Congresso Nacional do Partido Social Democrata (PSD), o caldense referiu que a Região Oeste tem atualmente com mais de 400 mil habitantes e que, daqui a 50 anos, poderá atingir 800 mil, razão pela qual considera insuficiente a construção de um único hospital para 250 mil habitantes.
“O Oeste tem 400 mil habitantes, hoje, daqui a 50 anos terá 800 mil, não é um hospital para o Oeste, não chega, não se pode fazer”, afirmou. Fernando Costa apontou ainda os exemplos de Santarém e do Algarve, referindo que ambas as regiões dispõem de várias unidades hospitalares para populações de dimensão semelhante. “Santarém tem três e tem 400 mil habitantes, o Algarve tem dois hospitais e tem 400 mil habitantes, e no Oeste querem fechar três hospitais, Caldas, Torres Vedras, Peniche, para fazerem um hospital”, disse.
O presidente da Assembleia Municipal criticou a solução de encerrar unidades hospitalares devido à falta de médicos, questionando se o mesmo princípio seria aplicado noutras regiões do país. “Então e se isso acontecer em Bragança e em Vila Real, fecham-se os hospitais para fazer um? E se Santarém tem três hospitais, Santarém, Torres Novas, Abrantes, se houver falta de médicos, fecham-se os três hospitais para fazer um?”, questionou.
Fernando Costa reiterou a importância do Hospital das Caldas da Rainha para a identidade da cidade, recordando a sua fundação pela Rainha Dona Leonor há mais de cinco séculos. “O hospital das Caldas da Rainha, onde eu sou Presidente, jamais poderá acabar”, afirmou.
Dirigindo-se à ministra da Saúde, o autarca reforçou a sua oposição ao encerramento das unidades hospitalares da região. “Senhora Ministra, mandar fechar três hospitais vai destruir a identidade de uma cidade, de um povo, e vai ofender o legado da Rainha Dona Leonor. Não pode, é preciso haver um hospital nas Caldas, é preciso haver um hospital de Torres Vedras, não se fecham hospitais”, referiu.
Fernando Costa defendeu que a resposta à escassez de profissionais deve passar pelo reforço dos recursos humanos e não pelo encerramento de equipamentos. “Criam-se ser mais médicos, criam-se mais quadros técnicos”, afirmou, acrescentando que pretende reunir-se com a ministra da Saúde acompanhado por técnicos, administradores e médicos para demonstrar que a proposta não é viável.
“Eu vou lá falar consigo, e levo os técnicos da saúde, administradores da saúde e médicos administradores, que lhe vamos provar que não se pode fazer um hospital em vez de destruir três, para 250 mil pessoas”, afirmou. O autarca recordou ainda que o Oeste integra 12 concelhos e alertou para o crescimento populacional previsto nas próximas décadas.
“Não, Senhora Ministra, vamos ser justos com a nossa história, com a nossa identidade, com a nossa alma, jamais me vergarei à memória da Rainha Leonor, fundadora das Caldas da Rainha. Devo-lhe essa obrigação, devemos todos essa obrigação”, disse, acrescentando que considera ser “um direito constitucional o direito à vida” e também “um direito constitucional a uma cidade, a uma população, a sua identidade, a sua origem”.
O presidente da Assembleia Municipal elogiou ainda o Governo pela atuação nas intempéries, destacando o apoio dado a Leiria e ao Centro do país, e realçou a criação da Universidade do Oeste, que considerou um desafio para as empresas da região, promovendo competitividade e exportações.
Sobre as infraestruturas, o autarca defendeu a modernização da Linha do Oeste e a conclusão das obras em curso. “A Linha do Oeste ainda está muito emperrada, ela tem que ser eletrificada do Oeste até à Figueira da Foz”, afirmou.
O presidente da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha pediu também mais poderes para as câmaras municipais defenderem os centros históricos. “Os centros históricos das cidades estão a ser alterados, invadidos por tudo, e mais uma coisa, as câmaras têm que ter o poder para defender os centros históricos”, declarou, defendendo que a legislação em vigor deve prever mecanismos específicos de proteção para estas áreas urbanas.
Dirigindo-se ao ministro da Administração Interna, o autarca solicitou mais competências para as polícias municipais. “Deve dar mais poderes e mais liberdade às câmaras para formarem as polícias municipais”, afirmou.
Fernando Costa concluiu a intervenção com um apelo à coragem para fazer de Portugal um centro de excelência e expressou o seu compromisso em defender a identidade e os direitos das populações do Oeste.













