O torriense José Gabriel Figueiredo integra a equipa de investigação do Instituto de Biomedicina (iBiMED) da Universidade de Aveiro (UA) que desenvolveu uma abordagem terapêutica pioneira baseada na modulação do gene PKMYT1, capaz de potenciar a reparação e a regeneração do sistema nervoso central e periférico após lesões graves.
A investigação, conduzida por Sandra Vieira, Patrícia Correia, Bárbara Sousa e José Gabriel Figueiredo, propõe a “ativação controlada da expressão do gene PKMYT1 através de técnicas genéticas que utilizam moléculas moduladoras”. Estas moléculas são “entregues por meio de vetores como vetores virais, lipossomas ou nanopartículas”, informou a Universidade de Aveiro, através de comunicado.
De acordo com a mesma fonte, “esta tecnologia abre portas a tratamentos mais eficazes para condições como a lesão medular traumática, que afeta 40-80 pessoas num milhão e por ano, com um custo global de 0,45-2,1 milhões de euros por doente”.
Segundo a UA, numa análise comparativa inicial, “os investigadores verificaram um aumento significativo da expressão de PKMYT1 apenas em condições favoráveis à regeneração, aumento esse ausente em neurónios não regenerativos”. Os estudos funcionais subsequentes demonstraram “o valor deste gene como alvo terapêutico, uma vez que o aumento da sua expressão acelera o crescimento de neurites, ajudando a superar as limitações naturais do sistema nervoso central em regenerar-se após lesão”. O gene PKMYT1, fortemente associado à regulação do ciclo celular e anteriormente estudado como alvo em terapias oncológicas, “não tinha sido associado à regeneração neuronal nem estudado nesse contexto”.
Os investigadores da UA são os inventores do pedido de patente europeu “PKMYT1 for use in regenerative medicine”, atualmente em fase de concessão. O desenvolvimento da tecnologia teve início no âmbito do projeto “GoBack – New therapeutic targets for spinal cord regeneration”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo programa Centro2020. O trabalho teve continuidade com o projeto “Reconnect – Developing innovative therapies for spinal cord injury” (COMPETE2030), financiado através do Programa Inovação e Transição Digital, na sua componente FEDER, e contou ainda com a colaboração de Frank Otto Bosse e Hans Werner Mueller, da Heinrich-Heine Universität, em Dusseldorf, Alemanha.
“Esta inovação, atualmente em fase de testes pré-clínicos, pretende ser uma ferramenta terapêutica que, de forma isolada ou combinada com outras ferramentas que o grupo está a desenvolver no âmbito de ambos os projetos, irá redefinir o tratamento de lesões neurológicas através de soluções eficazes para estimular a recuperação do sistema nervoso central – um desafio clínico há muito considerado intransponível”, conclui a Universidade de Aveiro.












