O histórico jornal regional Badaladas foi adquirido na passada sexta-feira pela empresa Gestivedras, Gestão Imobiliária, LDA., segundo apurou a RTVON junto de fonte próxima do processo.
A Gestivedras, fundada em 2020 e com sede em Torres Vedras, é liderada por Ricardo Santos, arquiteto de formação e natural da cidade. Ricardo Santos iniciou a sua carreira em Portugal em 2003 e, em 2011, mudou-se para o Brasil, onde atualmente é CEO da holding Omni Trade Brasil Investimentos e Participações, S.A., com sede em São Paulo. A holding integra cinco empresas, incluindo a Ot International, Lda., sediada em Torres Vedras.
Em resposta à RTVON, a Gestivedras justificou a aquisição do jornal com o objetivo de preservar um património cultural e comunicacional da região. “Com 78 anos de história, o Badaladas é parte integrante da identidade do Oeste e uma referência para várias gerações de leitores. A motivação principal foi clara: não deixar acabar um jornal com tanto significado”, afirmou Ricardo Santos.
Natural de Torres Vedras, o responsável acrescentou ainda que a decisão tem também um caráter pessoal: “Sinto a responsabilidade de preservar esta história e de assegurar que o Badaladas continua vivo e relevante. A aquisição é um ato de responsabilidade local, de respeito pela história e de visão de futuro”.
Entre os principais objetivos para esta nova fase, a Gestivedras destaca a valorização da história e da credibilidade do jornal, a modernização da estrutura editorial e digital, o reforço da ligação à comunidade do Oeste e a sustentabilidade financeira. “Queremos que o Badaladas seja não apenas um jornal do passado, mas também do presente e do futuro da região”, sublinhou.
Quanto à linha editorial, a empresa assegura que “não estão previstas mudanças bruscas ou imediatas”, reforçando que a identidade construída ao longo das décadas será respeitada. A estratégia passa por “inovar sem apagar a tradição”, mantendo o papel do jornal como “voz da comunidade” e garantindo maior proximidade com os leitores.
Ricardo Santos explicou ainda que “um dos pilares desta nova fase é o investimento digital e a modernização da redação”, anunciando a preparação de um novo site responsivo e intuitivo, maior presença nas redes sociais, conteúdos multimédia e canais de interação com os leitores. “Na redação, vamos investir em tecnologia, formação e novas metodologias de trabalho. O objetivo é unir a tradição do jornal impresso à inovação digital, criando um Badaladas mais forte e próximo da comunidade do Oeste”, acrescentou.
A empresa garantiu igualmente que a redação e a equipa atual se mantêm, prevendo-se “um reforço e modernização, com novas ferramentas, formação e colaborações adicionais, valorizando a equipa existente”. O conhecimento que os profissionais têm da região, sublinha, “é essencial para dar continuidade ao trabalho de proximidade e credibilidade”.
Sobre o futuro, Ricardo Santos afirmou que, dentro de cinco anos, a visão é a de um Badaladas moderno, sustentável e de referência em todo o Oeste, “honrando o seu legado e projetando o futuro da comunicação local”. Aos leitores que acompanham o jornal há décadas, deixou ainda uma palavra de reconhecimento: “Comprometemo-nos a honrar este legado, garantindo que o Badaladas continua a ser um espaço de informação credível e próximo. O Badaladas será sempre vosso, feito com a comunidade e para a comunidade”.
O Jornal Badaladas iniciou a sua publicação mensal em maio de 1948, como boletim paroquial da então vila de Torres Vedras. Em janeiro de 1961 passou a ser um jornal regional de inspiração cristã. Em 1977, o padre Joaquim Maria de Sousa, primeiro proprietário e diretor, doou o jornal à Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de São Pedro e São Tiago de Torres Vedras.
Atualmente, o Badaladas continua a servir a região Oeste, abrangendo os concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Mafra, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.













