Os prejuízos da passagem da tempestade Kristin na região do Oeste ultrapassam os 20 milhões de euros, segundo um balanço preliminar divulgado pela Associação Empresarial da Região Oeste (AIRO).
Com base num levantamento realizado entre quinta-feira e esta segunda-feira, que contou com 344 respostas validadas, “os prejuízos na região já ascendem a mais de 20 milhões de euros, considerando o valor já quantificado de 16 milhões de euros e a estimativa para as participações ainda em avaliação”, divulgou a AIRO.
No balanço, a associação “alerta para o facto de estes serem dados provisórios, uma vez que o processo de recolha de informação irá prolongar-se até à próxima semana”.
Segundo a associação, os dados preliminares “revelam uma situação crítica para a sustentabilidade empresarial” na região onde 64% das entidades afetadas enfrentam interrupções na sua atividade (31% em paragem total e 21% em paragem parcial).
A grande maioria dos afetados “sinaliza uma necessidade ‘crítica’ de intervenção para evitar o fecho definitivo de portas” e cerca de 20% dos empresários referem que os prejuízos ainda estão a ser identificados ou orçamentados, acrescentou a AIRO.
O impacto financeiro concentra-se, sobretudo, em três ocorrências de grande escala: uma exploração agrícola (nas Caldas da Rainha) com perda total de infraestruturas de estufas e colheitas, num prejuízo de 4,5 milhões de euros; uma unidade fabril (em Alcobaça) com danos estruturais graves e perdas de um milhão de euros; o colapso de instalações e destruição de equipamentos de logística no concelho de Alcobaça, totalizando 700 mil euros, adiantou a AIRO.
O concelho de Alcobaça lidera as participações, com 266 casos (77% das respostas), que equivalem a 9,92 milhões de euros de prejuízos.
Nas Caldas da Rainha, as situações reportadas equivalem a prejuízos de 4,53 milhões de euros, com predomínio do setor agrícola, enquanto em Alenquer as situações registadas foram essencialmente do setor vitivinícola e frutícola, com danos que ascendem a 920 mil euros.
Ainda de acordo com o balanço, o setor agrícola, a indústria e o comércio são os mais fustigados.
Na agricultura, “a destruição de culturas permanentes e estruturas de proteção (estufas e armações) ameaça não só a produção imediata, mas também as campanhas de exportação dos próximos anos”, e na indústria, acrescentou a AIRO, sendo “a paragem das linhas de produção e a destruição de armazéns” as prioridades de intervenção”.
Perante a gravidade da situação, a AIRO mobilizou uma estrutura de apoio às empresas, que inclui um centro de apoio logístico na Expoeste, nas Caldas da Rainha, e instalações de um espaço de ‘cowork’ de emergência na sede da associação.
O espaço de ‘cowork’ está aberto a “empresários e profissionais que ficaram sem condições de laboração, oferecendo postos de trabalho e conetividade para assegurar a continuidade mínima dos negócios”, indicou a AIRO.
A AIRO está ainda a disponibilizar “alojamento de emergência”, em colaboração com unidades de Alojamento Local, coordenando “verificação de necessidades habitacionais para realojamento de quem perdeu habitações ou instalações industriais”.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.










