Vinte pessoas foram hoje retiradas de suas casas em Alenquer, devido danos nas habitações causados por movimentos de terra, aumentando para 110 o número de desalojados na região do Oeste, segundo o sub-comando de operações de socorro.
A região regista hoje “um total de 110 desalojados, com mais 20 pessoas retiradas de casa em Alenquer, em aldeias dispersas, devido a movimentos de terras estarem a causar danos nas habitações”, disse à agência Lusa o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Oeste, Carlos Silva.
O número de deslocados aumentou para 201 (mais um do que na quarta-feira), reportando-se a um habitante do concelho de Alenquer.
De acordo com Carlos Silva, desde a passagem da depressão Kristin, em 28 de janeiro, “oito desalojados e 22 deslocados já regressaram às respetivas casas”.
Na área do comando sub-regional registaram-se, nas últimas 24 horas, 98 ocorrências, das quais “22 quedas de árvores, 23 movimentos de massa, 25 inundações, 12 quedas de estruturas, 12 limpezas de via e quatro salvamentos terrestres e aquáticos, sem vítimas”, enumerou Carlos Silva.
Os municípios com o maior número de ocorrências são Torres Vedras, com 29, e Alcobaça, com 23.
Na região mantém-se isolada à circulação automóvel a povoação de Pé do Monte, no concelho de Sobral de Monte Agraço, onde hoje “esteve uma equipa geotécnica do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) a fazer uma avaliação”.
A proteção Civil está a avaliar se na aldeia, com cerca de 40 habitantes, “devem ser retiradas algumas pessoas preventivamente, tendo em conta que se avizinha uma noite com bastante chuva”, explicou o comandante.
O mesmo acontece “na Aldeia da Mata, em Alenquer, de onde foi retirado o maior número de pessoas hoje deslocadas, e está também a ser ponderado retirar mais algumas de habitações que podem oferecer algum risco” com o aumento da pluviosidade.
Nas zonas mais afetadas por inundações, como os concelhos de Torres Vedras e Lourinhã, “o nível das águas baixou e há mais estradas transitáveis”, mas, alertou Carlos Silva, “estes dois concelhos e os de Alcobaça, Óbidos, e a parte baixa de Alenquer poderão voltar a sofrer inundações durante a noite e o dia de sexta-feira, porque há muita saturação dos terrenos”.
O responsável pela proteção civil na região do Oeste sublinhou que “as próximas horas, entre as 18h00 de hoje e as 09h00 de sexta-feira, são bastante preocupantes”, apelando a que “a população evite deslocações desnecessárias e comportamentos de risco, evitando ir para zonas onde há risco de inundações ou deslizamentos de terras”.
A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta por Portugal — e as inundações e cheias que as acompanharam — causaram 16 mortos e muitas centenas de feridos e desalojados, a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte e o corte de energia, água e comunicações.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Entretanto aproxima-se nova tempestade, Oriana, tendo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocado sob aviso amarelo de chuva os distritos de Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Guarda, Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.
A depressão Oriana não irá afetar Portugal continental diretamente, mas causará, entre hoje ao final da tarde e a manhã de sexta-feira, períodos de chuva, por vezes forte, e vento com rajadas até 80 quilómetros por hora, segundo o IPMA.














