O Festival Política regressa em setembro a Lisboa, passando, entre outubro e novembro, por Coimbra, Loulé e, pela primeira vez, Torres Vedras, anunciou a organização.
Nesta edição, a programação, que inclui espetáculos, filmes, exposições, oficinas e visitas guiadas, tudo de entrada gratuita, é dedicada à Constituição da República Portuguesa, no ano em que se assinalam os 50 anos da aprovação da primeira Constituição da Democracia, segundo a organização do Festival Política, num comunicado divulgado.
Em Lisboa, o festival, que este ano perdeu o apoio da Câmara Municipal da cidade, acontece entre os dias 24 e 26 de setembro, “numa dezena de espaços distintos da freguesia de São Vicente, aproximando a programação de diferentes comunidades e espaços da freguesia de Lisboa”.
Em 02 de abril, a organização do festival deu conta de que, após nove anos consecutivos, o Política, que habitualmente acontecia naquele mês no Cinema São Jorge, não iria realizar-se na capital este ano, por decisão comunicada pela empresa municipal EGEAC Lisboa Cultura, em 28 de fevereiro.
“Depois desse cancelamento tivemos contactos de várias entidades, incluindo da junta de São Vicente”, disse na altura à Lusa Rui Oliveira Marques, cofundador do festival.
Questionada pela Lusa na altura, a EGEAC Lisboa Cultura justificou a decisão de pôr um fim à parceria que mantinha com o Festival Política por entender que “era o momento de apoiar novos projetos”.
Depois de Lisboa, o Festival Política realiza-se em Loulé, entre 22 e 24 de outubro, com epicentro no Cineteatro Louletano; em Coimbra, entre 12 e 14 de novembro, no Convento São Francisco; e em Torres Vedras, nos dias 28 e 29 de novembro.
Com os 50 anos da Constituição da República Portuguesa como tema, “o propósito é convocar artistas, criadores, realizadores, ativistas, jovens e sociedade civil a refletir e discutir os princípios da atual Constituição”.
O Politica abriu em maio um concurso de bolsas de apoio à criação para jovens em Lisboa, Coimbra e Loulé, tendo anunciado hoje os vencedores.
Em Lisboa, a vencedora é a cantora, compositora e produtora luso-moçambicana Nayr Faquirá, que irá apresentar, em 26 de setembro, “Artigo 13.º”, “uma performance musical inspirada no princípio da igualdade consagrado na Constituição”.
A bolsa em Coimbra foi atribuída à psicóloga e ativista Inês Simões, “que irá conduzir uma oficina sobre as barreiras que impedem as pessoas com deficiência de usufruir plenamente de direitos constitucionais como o voto, a autodeterminação e a educação”.
A vencedora em Loulé, a artista Mariana Martins, que trabalha na intersecção entre escrita experimental, colagem e movimento, “está a preparar uma releitura da Constituição”.
Em Torres Vedras, estão abertas até 31 de agosto as candidaturas a uma bolsa destinada a jovens até aos 30 anos, nas áreas de literatura, música, artes performativas, artes plásticas, vídeo ou formação, com projetos sobre direitos humanos, participação cívica e política ou a Constituição.
No ano passado, o Festival Política, da Associação Isonomia “totalizou 15 dias de atividades gratuitas, com uma programação de quase 100 iniciativas, que reuniram cerca de sete mil participantes”.













