O cinema do centro comercial La Vie, nas Caldas da Rainha, vai dar lugar a um ginásio e a uma loja, depois de o Município ter concordado com o encerramento, desde que a cidade mantenha exibição cinematográfica regular.
O presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Vítor Marques, confirmou à agência Lusa que, após o encerramento, em janeiro, das salas geridas pela Cineplace, e esgotados os contactos pela administração do centro comercial para chegar a acordo com outros operadores, as quatro salas de cinema vão dar lugar a um ginásio e a uma loja.
“O La Vie pediu parecer à tutela que, por sua vez, pediu parecer à câmara municipal, que autorizou [a desafetação das salas à atividade cinematográfica] desde que fosse encontrado outro espaço para o cinema na cidade”, explicou o autarca.
Questionada pela agência Lusa, a administração do centro comercial esclareceu por escrito que o “processo legal e administrativo em curso [está] ao abrigo da legislação em vigor (…), após envolvimento direto da Inspeção Geral das Atividades Culturais e das mais altas instâncias do Ministério da Cultura na sua elaboração, inclusive com intervenções públicas da tutela sobre a gestão, complexa, deste dossiê com impacto a nível nacional”.
De acordo com o centro comercial, o processo está também “devidamente enquadrado com as autoridades locais cujo envolvimento e papel não pode ser desconsiderado, tanto no plano estritamente legal como na defesa dos interesses dos cidadãos das Caldas da Rainha”.
O presidente da câmara das Caldas da Rainha adiantou que o município tem mediado contactos para reabrir as salas dos antigos Cinemas Delta no centro histórico desta cidade do distrito de Leiria.
“As conversações estão a decorrer bem para se concretizar a abertura”, acrescentou.
Na semana passada, numa audição parlamentar, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, disse que aguardava os relatórios da Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) sobre os pedidos de desafetação de atividade de salas de cinema, que estão pendentes desde 2023.
“Até novembro, impreterivelmente, eu vou ter de tomar uma decisão, que vai procurar considerar o relatório técnico que me for entregue pela IGAC”, disse.
As decisões da tutela vão ser tomadas à luz de uma nova portaria, que entrou em vigor em junho, que altera o regime de desafetação de atividade cinematográfica das salas de cinema.
Para tomar uma decisão, o Governo passa a precisar de pareceres, ainda que não-vinculativos, de mais entidades, nomeadamente da Cinemateca Portuguesa, da Direção-Geral das Artes, dos municípios e do Instituto do Cinema e do Audiovisual.
A alteração do regime de desafetação acontece depois de, em 2025 e no início deste ano, ter ocorrido o encerramento de várias salas de cinema do circuito comercial, sobretudo da exibidora Cineplace, que entrou em insolvência, e também de algumas salas da NOS Lusomundo Cinemas.
Na sequência destes encerramentos, o Ministério da Cultura suspendeu as decisões sobre pedidos de desafetação e criou em novembro de 2025 um grupo de trabalho, que apresentou a 06 de abril várias recomendações para revitalizar o setor, incluindo alterações ao regime de desafetação de salas.
Na altura, o grupo de trabalho revelou que estão pendentes ou em fase de instrução 12 pedidos de desafetação de um total de 52 salas de cinema, em localidades como Albufeira, Barreiro, Vila Nova de Gaia, Seixal, Braga, Loures, Guarda e Caldas da Rainha.
Nas Caldas da Rainha, as salas de cinema operadas pela Cineplace encerraram em janeiro deste ano, deixando a cidade sem qualquer cinema comercial.
A oferta de programação de filmes fica reduzida à exibição de películas no Centro Cultural e de Congressos (CCC) que, segundo o presidente, “vai manter as sessões de cinema, em formato não concorrencial, exibindo filmes que não fazem parte do circuito comercial”.










