A Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos aprovou, na sua última reunião, uma nota de pesar pela morte do baterista Hugo Marques, conhecido no meio artístico como Vicky Marques, que residiu neste concelho.
A nota de pesar, com que todo o executivo municipal se solidarizou, refere que o músico foi um “baterista de talento inconfundível” e uma “figura que marcou Arruda dos Vinhos pela sua música, talento e pela pessoa que foi”.
“Deixou marca na nossa comunidade e na nossa memória”, sublinha a nota. “Arruda ficou mais pobre, mas a sua música e o seu percurso continua a fazer parte da nossa memória coletiva”, remata o município.
Vicky Marques, que morreu na quinta-feira, aos 51 anos, trabalhou com gerações de músicos de expressões que vão da pop ao jazz, à música alternativa e ao fado,
Com uma carreira de mais de três décadas, Vicky Marques acompanhou músicos como Mariza, Carminho, Maria João e Mário Laginha, Carlos Zíngaro, Ivan Lins e John Stubblefield, ao vivo ou em estúdio, aparecendo em álbuns de Ana Moura, Mafalda Veiga e João Pedro Pais, Yuri Daniel, Paulo Gonzo, José Peixoto e Miguel Amado, entre outros.
Fundador da Start-Up Cultural de Arruda dos Vinhos, onde residia, Vicky Marques foi também alvo de uma nota de pesar da Junta de Freguesia de Arruda dos Vinhos, nas redes sociais, que testemunhava o “vazio tanto a nível cultural, como na comunidade”, deixado pela morte do músico.
A autarquia destacou a sua presença em eventos culturais e artísticos no concelho e a homenagem feita ao músico, em janeiro deste ano, quando uma sala da incubadora ganhou o nome Estúdio Hugo ‘Vicky’ Marques, tendo em conta o seu contributo para o projeto e para a freguesia.
Vicky Marques criou a sua primeira bateria improvisada com objetos domésticos, aos oito anos, e começou a ter aulas de bateria aos 12 com o professor Francisco Furtado.
Um ano mais tarde fazia a sua primeira atuação em público, no Teatro Gil Vicente, em Cascais e, aos 13 anos, ingressou na primeira banda, Alla Breve, tocando em bailes e festas um pouco por todo o país.
Foi no circuito de bares, aos 17 anos, com a banda SG’s, que iniciou os seus contactos com artistas do universo pop. Desde então, tocou e gravou com os principais artistas portugueses da pop, do rock, jazz, da música alternativa e de inspiração tradicional, e também com solistas internacionais, sobretudo da área do jazz.
Em 2008 gravou um DVD tutorial “Vicky — Elementos”, da edição Séries de Música da Dread Monkey, e em 2011 criou o concerto “Estou de Viagem”, com Carmo Stichini, baseado em histórias de viagens.
Com Mariza, atuou em mais de 400 concertos nos quatro continentes. Entre os muitos músicos com quem trabalhou contam-se também Philip Hamilton, Greeg Kofi Brown, Paulo de Carvalho, Pedro Joia, Mário Delgado, o quinteto de Nuno Allan Rita Guerra, Gil do Carmo, Tim Tim por Tim Tum (Drum Ensamble com José Salgueiro, Alexandre Frazão e Marco Franco), Rui Júnior e O ó Que Som Tem?, Pedro Madaleno, Lucas Froehlich, João Moreira, o trio de Filipe Raposo Trio (com Carlos Bica e Yuri Daniel), Gota (João Barbosa, Pedro Pires e Guilherme Marinho) e Matt Geraghty, para mencionar alguns.
Com Mariza, além de ter tocado nas gravações “Concerto em Lisboa” (2005), “Terra em Concerto” (2008) e no recente single “É Ou Não É”, atuou no Carnegie Hall e no Town Hall de Nova Iorque, Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, no Chicago Symphony Center, no Seattle Symphony Hall, no Massey Hall Toronto, no Sidney Opera House, no Royal Festival Hall e no Barbican, em Londres, no Carré Amsterdam, na Cairo Opera House e Palau De La Música de Barcelona, entre outras salas de concerto.










