A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Torres Vedras (AHBVTV) alertou esta segunda-feira, dia 17 de agosto, para a elevada carga operacional que o corpo de bombeiros enfrenta e manifestou preocupação “perante um conjunto de constrangimentos que estão a ter impacto na resposta de emergência à população”.
Num comunicado enviado à RTVON, a associação refere que, entre 28 de julho e 12 de agosto, registou mais de 500 ocorrências, a maioria relacionadas com emergência pré-hospitalar. Atualmente, os bombeiros respondem, em média, a “mais de 30 emergências pré-hospitalares por dia”, número que, segundo a instituição, “tem vindo a aumentar de ano para ano”.
A corporação aponta ainda constrangimentos “no Hospital de Torres Vedras, que obrigam a frequentes deslocações de ambulâncias e respetivas equipas para unidades hospitalares em Lisboa”, aos quais “se juntam situações relacionadas com o sistema de triagem e acionamento do CODU/INEM, nas quais existem meios disponíveis no quartel dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras que não chegam a ser acionados, enquanto cidadãos permanecem a aguardar por uma ambulância”, lê-se no documento.
“É neste contexto de elevada atividade operacional que a Associação considera particularmente preocupantes situações em que cidadãos permanecem mais de uma hora à espera de uma ambulância, perante a indicação de inexistência de meios disponíveis, quando existem no quartel dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras ambulâncias e equipas em condições de responder à ocorrência, mas que não foram acionadas pelo CODU/INEM “, refere.
A AHBVTV sublinha que “para quem necessita de assistência, esta distinção não existe. A população vê uma ambulância que não chega e, naturalmente, associa a demora à incapacidade de resposta dos agentes de socorro locais: os Bombeiros de Torres Vedras”.
“Estas situações, para além da preocupação que suscitam relativamente ao tempo de resposta à emergência, podem afetar a confiança que a população de Torres Vedras há muito deposita na Associação e nos seus bombeiros”, acrescenta.
A instituição defende, por isso, que, “existindo meios de socorro disponíveis e operacionais no concelho, estes possam ser acionados de forma rápida sempre que sejam necessários, garantindo que os recursos existentes são utilizados em benefício da população”.
Constrangimentos no Hospital de Torres Vedras
Os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras alertam também para constrangimentos no Hospital de Torres Vedras que, segundo a associação, têm tido impacto direto na atividade da corporação.
“Apesar de, em determinados períodos, se terem verificado melhorias no funcionamento daquela unidade hospitalar, nas últimas semanas voltaram a registar-se limitações com impacto direto na atividade dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras”, refere a AHBVTV.
“Entre as situações que mais preocupam a Associação encontra-se a indisponibilidade do serviço de TAC, não sendo atualmente conhecida uma previsão para a sua retoma, bem como os constrangimentos registados nos Serviços de Medicina e Cirurgia”, acrescenta.
Os bombeiros referem ainda que a resposta de Pediatria “tem sofrido limitações”, tendo o serviço estado encerrado “durante o período diurno em dois a três dias, mantendo-se, há já algum tempo, o seu encerramento durante o período noturno”.
“Estes constrangimentos obrigam a que diversos doentes tenham de ser encaminhados para unidades hospitalares em Lisboa”, salienta a corporação torriense.
Segundo os bombeiros, em vários períodos do dia, sobretudo durante a noite, a situação “leva a que os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras possam ter quatro a cinco ambulâncias simultaneamente em deslocação para hospitais de Lisboa, representando a mobilização de oito a dez bombeiros durante períodos prolongados.
“O problema não se limita apenas à distância entre Torres Vedras e Lisboa. Aos tempos de deslocação juntam-se os períodos de espera nas unidades hospitalares “, lê-se no comunicado.
Os bombeiros de Torres Vedras dão como exemplo uma situação recente em que uma ambulância “permaneceu cerca de 50 minutos no Hospital de Torres Vedras a aguardar que um doente fosse recebido, tendo posteriormente esse mesmo doente sido encaminhado para uma unidade hospitalar em Lisboa”.
“Uma ocorrência que implique o transporte de um doente para Lisboa pode significar a indisponibilidade de uma ambulância e da respetiva tripulação durante cerca de três horas, caso todo o processo decorra sem constrangimentos adicionais”, afirma a associação, acrescentando que, caso a resposta pudesse ser assegurada no Hospital de Torres Vedras, esse período poderia, “em muitas situações, ser reduzido para cerca de 30 a 45 minutos”.
Para os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, esta diferença “tem um impacto significativo numa estrutura que responde diariamente a dezenas de emergências e que necessita de manter permanentemente meios disponíveis para novas ocorrências”.
Bombeiros de Torres Vedras garantem resposta à população apesar da elevada exigência operacional
Apesar dos constrangimentos identificados, a AHBVTV garante que o socorro à população tem sido assegurado, embora reconheça a crescente exigência operacional enfrentada pelo corpo de bombeiros.
“Até ao momento, o socorro à população tem sido garantido. A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Torres Vedras e os seus bombeiros têm feito, diariamente, todos os esforços para assegurar que nenhum pedido de socorro fique sem resposta, mesmo perante uma atividade operacional cada vez mais exigente”, afirma a instituição.
Segundo os bombeiros, esta capacidade de resposta é assegurada em grande parte pelo empenho e disponibilidade dos operacionais, muitos dos quais são voluntários e mantêm uma atividade profissional fora do corpo de bombeiros.
“São homens e mulheres que, muitas vezes, passam uma parte significativa da noite em deslocações a hospitais de Lisboa, acompanhando doentes que, perante os constrangimentos existentes no Hospital de Torres Vedras, não conseguem obter resposta hospitalar no concelho”, refere a associação.
“Terminado o serviço e regressados a Torres Vedras, muitos destes bombeiros têm, poucas horas depois, de se apresentar nos seus locais de trabalho e cumprir normalmente a sua atividade profissional”, acrescenta.

A AHBVTV considera que esta realidade representa “um enorme esforço humano”, além da sobrecarga provocada nos meios de emergência.
“Quando quatro ou cinco ambulâncias se encontram simultaneamente em Lisboa, não estão apenas vários meios de socorro afastados do concelho: estão também oito a dez bombeiros mobilizados durante períodos prolongados, muitas vezes durante a noite”, pode ler-se no comunicado.
Apesar das dificuldades, a associação garante que continuará a cumprir a sua missão de socorro à população.
A instituição admite, contudo, preocupação relativamente à evolução da situação. “Não podemos deixar de olhar para o futuro com preocupação”, afirma.
“Essa preocupação não resulta apenas dos constrangimentos hospitalares. As situações relacionadas com o acionamento de meios pelo CODU/INEM, em que existem ambulâncias disponíveis no quartel mas estas não são mobilizadas para ocorrências em que a população aguarda por socorro, constituem igualmente motivo de preocupação para a Associação”, revela o comunicado.
Neste contexto, os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras consideram “essencial que exista uma articulação eficaz entre todos os intervenientes no sistema de emergência, permitindo aproveitar os meios efetivamente disponíveis e garantindo à população a resposta mais rápida possível”.
“A preocupação da Associação é, acima de tudo, com a segurança dos torrienses e com a capacidade de continuar a garantir, no futuro, o mesmo nível de resposta que tem sido possível assegurar até hoje”, acrescenta
Os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras afirmam ainda que “continuarão a cumprir a sua missão e a lutar, todos os dias, para que nenhum socorro fique por prestar”, mas consideram ser sua responsabilidade alertar para uma “realidade que, se continuar a agravar-se, poderá colocar em causa a disponibilidade imediata dos meios e, consequentemente, a capacidade de resposta às emergências no concelho de Torres Vedras”.
Com este alerta, a AHBVTV pretende “dar a conhecer à população a realidade atualmente vivida e sensibilizar as entidades competentes para a necessidade de encontrar soluções, tanto ao nível da resposta hospitalar como da articulação do socorro pré-hospitalar “.
“A prioridade continuará a ser a mesma: garantir que, quando alguém precisa de socorro, existe uma resposta disponível, atempada e eficaz”, acrescenta.
Mais de 30 emergências pré-hospitalares por dia
Nas últimas semanas, os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras registaram uma elevada atividade operacional, que incluiu, além da emergência pré-hospitalar, incêndios, acidentes rodoviários e apoio a operações de combate a incêndios noutras regiões do país.
Em comunicado, a AHBVTV refere que, entre 27 de julho e 10 de agosto, a corporação torriense respondeu a quatro incêndios urbanos, industriais e em detritos, cinco incêndios rurais, quatro colisões rodoviárias e seis despistes rodoviários. A estes serviços juntou-se uma média superior a 30 emergências pré-hospitalares por dia.
A esta atividade juntou-se o apoio prestado no combate aos grandes incêndios que afetaram outras regiões do país. Entre 28 de julho e 1 de agosto, os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras estiveram envolvidos nas operações de combate aos incêndios na Guarda e em Valpaços, com sete bombeiros e dois veículos.
“Mesmo perante esta elevada carga operacional, o Corpo de Bombeiros continua a assegurar diferentes tipologias de emergência, algumas em circunstâncias particularmente exigentes”, afirma a AHBVTV.

Bombeiros de Torres Vedras assistiram ao nascimento da bebé Alice
Os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras prestaram, no dia 31 de julho, assistência ao nascimento da bebé Alice.
“Uma das equipas prestou assistência ao nascimento da bebé Alice, numa ocorrência que demonstra a diversidade e a exigência das situações para as quais os bombeiros são diariamente mobilizados”, refere a AHBVTV.
Segundo a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Torres Vedras (AHBVTV), a assistência a partos tem vindo a tornar-se uma ocorrência “cada vez mais frequente” para os operacionais da corporação.
A associação refere ainda que existem situações em que as equipas “têm de prestar assistência sem o apoio presencial de uma equipa diferenciada do INEM”.










